Entenda o surto de sarampo no Brasil

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O aumento de casos de sarampo no Brasil preocupa o país e provocou a perda do certificado de erradicação da doença fornecido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em 2016. A primeira reincidência ocorreu em 2018 nos estados de Amazonas e Roraima.

De acordo com o Ministério da Saúde, o genótipo do vírus (D8) encontrado no Brasil é o mesmo em circulação na Venezuela, país que apresenta o surto de sarampo desde 2017. Esse fato fez com que houvesse uma especulação sobre os novos casos, que teriam sido provocados pela importação do vírus.

A taxa recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de adesão às vacinas é de 95%, para garantir a proteção a determinado patógeno. No Brasil, porém, as taxas de adesão estão diminuindo e, nos estados de Roraima e Amazonas, ficaram abaixo dos 85%, cenário que contribuiu também para a rápida proliferação da doença.

Quantos casos de sarampo foram registrados?

De fevereiro de 2018 a janeiro de 2019, foram registrados 10.274 casos de sarampo no Brasil, sendo 9.778 apenas no estado do Amazonas, com 6 mortes confirmadas, e outros 355 casos em Roraima, com 4 mortes registradas. Outros registros isolados apareceram no Pará (61), Rio Grande do Sul (45), Rio de Janeiro (19), Sergipe (4), Pernambuco (4) e outros números inferiores de casos.

Por meio dos dados, o Ministério da Saúde realiza um monitoramento constante da situação, em que registrou no Amazonas o maior volume de novos casos registrados nos meses de junho e julho, e fevereiro e março em Roraima, ambos de 2018. Mesmo sendo alarmante, nos meses posteriores, exibe-se uma tendência ao decréscimo das ocorrências.

Como resolver o problema?

O principal objetivo do governo para conter o surto de sarampo é diminuir a incidência da doença e conquistar novamente o certificado de país livre da doença. Para isso, busca fortalecer as campanhas de combate contra o vírus e, consequentemente, aumentar a cobertura de vacinação por todo o país.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), uma das mais conceituadas instituições de pesquisa do Brasil, divulgou um estudo sobre a vacinação no país. Nele, especialistas apontam a descrença no método e o desconhecimento das consequências da doença como principal motivo para a não vacinação.

Por esse motivo, aumentar o estímulo, a cobertura e o conhecimento sobre a vacinação e divulgar os sintomas, formas de transmissão e causas da doença são essenciais. Com isso, espera-se que as taxas de população vacinada voltem gradativamente às de 2015, quando o Brasil atingia os 95% de adesão recomendados pela OMS.

O que é sarampo?

O sarampo é uma doença infecciosa, altamente contagiosa e causada por vírus do gênero Morbillivirus, família Paramyxoviridae. A doença pode ser contraída por pessoas de qualquer idade, mas tem maior incidência em crianças com menos de um ano de idade. A contaminação é feita pelo ar, provocada por espirros, tosse e outras formas de contato com secreções contaminadas.

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A presença de um sistema imunológico enfraquecido e a incidência da doença no local são mandatórias para contrair a doença e desenvolver estágios avançados. Por isso, as baixas taxas de vacinação provocam maiores chances de contágio, assim como a subnutrição, falta de vitaminas e presença de doenças imunossupressoras.

Sintomas do sarampo

Os sintomas do sarampo podem ser percebidos de 10 a 12 dias após o contato com o vírus. Por esse motivo, muitas vezes a infecção do vírus não é percebida no curto prazo, o que auxilia na sua proliferação. Em estágios mais avançados da doença, complicações graves podem começar a expressar-se no indivíduo, como cegueira, encefalite, diarreia, vômito, infecções de ouvido e respiratórias.

Os sintomas mais frequentes de sarampo são:

  • Febre alta;
  • Mal-estar;
  • Secreções no nariz;
  • Tosse;
  • Olhos vermelhos;
  • Manchas brancas dentro das bochechas;
  • Manchas vermelhas na pele (inicialmente no rosto e pescoço).

O sarampo é uma doença que ataca o sistema imunológico de quem a detém. Sendo assim, infecções secundárias podem ser contraídas e provocar a piora do quadro clínico do indivíduo, até o óbito em casos mais extremos.

Qual é o tratamento para sarampo?

Ainda não existe um tratamento específico para sarampo, por isso, apenas os sintomas da doença são controlados. Para complicações graves, é aconselhado o uso de antibiótico para infecções bacterianas (se surgirem), alimentação balanceada para fortalecer o organismo e hidratação para compensar os efeitos de vômitos e diarreias.

No caso de crianças, são dadas duas doses de vitamina A em um período de 24h. Essa vitamina é responsável por desenvolver e diferenciar as células de defesa do corpo, sendo uma aliada no combate às infecções do organismo. Além disso, tem função relacionada à proteção da córnea e ao fortalecimento das células das mucosas, ambas afetadas pelo sarampo.

Imunização e diagnóstico rápido da doença

Embora não tenha um tratamento específico, o tempo de diagnóstico é essencial para uma rápida recuperação e impedimento de evolução do sarampo para estágios mais graves. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece as vacinas em postos de saúde de acordo com o calendário de vacinação como forma de prevenção, já que, como dito, a doença não possui tratamento específico.

A primeira dose da vacina é oferecida para crianças de até 12 meses e é denominada tríplice viral. Essa vacina oferece não só proteção contra o sarampo, como também para rubéola e caxumba. A segunda dose deverá ser recebida aos 15 meses e conta também com a proteção para catapora, sendo denominada tetra viral.

No caso de utilização de planos de saúde, as operadoras normalmente não oferecem cobertura total do valor da vacina, mas as operadoras como a Amil, o Bradesco e SulAmérica oferecem descontos caso seja de interesse. Além disso, a vantagem de utilizar a rede particular para os cuidados com a doença é, principalmente, a rapidez de atendimento e diagnóstico e a oferta de facilidades para a internação.

O sarampo pode ser contraído por pessoas de qualquer idade.
O sarampo pode ser contraído por pessoas de qualquer idade.
Por Ministério da Saúde

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