Epilepsia

A epilepsia é um transtorno neurológico causado por crises epilépticas recorrentes.

A epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por crises epilépticas recorrentes — episódios de atividade elétrica anormal no cérebro. Essas crises podem variar em intensidade e duração e podem ter causas distintas, incluindo lesões cerebrais, anomalias cerebrais congênitas, fatores genéticos, infecções cerebrais e distúrbios metabólicos. No entanto, em muitos casos, a causa específica pode não ser identificada.

Os sintomas das crises epilépticas podem variar amplamente, desde convulsões evidentes até manifestações mais sutis, como alterações de comportamento ou percepções sensoriais estranhas. O diagnóstico é realizado por meio de uma avaliação clínica completa, incluindo história médica detalhada, exame físico, eletroencefalograma e exames de imagem do cérebro.

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Resumo sobre epilepsia

O que é epilepsia?

A epilepsia é um transtorno neurológico em que existe a repetição de crises epilépticas não provocadas, isto é, que não foram causadas por outro estímulo definido, como uma febre.

A crise epiléptica acontece quando existe uma atividade anormal e excessiva em neurônios que se situam no córtex cerebral. Geralmente dura de segundos a poucos minutos. No entanto, quando prolongada ou quando acontecem duas ou mais crises epilépticas repetidamente, é considerado que o indivíduo está em um estado epiléptico.

Causas da epilepsia

As causas da epilepsia podem ser diversas e variam de acordo com a idade do paciente e o tipo de epilepsia. Algumas das mais comuns incluem:

Importante: Em muitos casos, a causa específica da epilepsia pode não ser identificada. Em mais de ¾ dos pacientes, as crises epilépticas começam até antes dos 18 anos.

Sintomas da epilepsia

As crises epilépticas que desencadeiam a epilepsia podem se manifestar de diversas maneiras e com sintomas variados:

Existem ainda outros tipos de crises epilépticas que podem causar quedas ao solo sem movimentos ou contrações, percepções visuais ou auditivas estranhas, alterações transitórias da memória, entre outros sintomas.

É importante reconhecer que a epilepsia pode apresentar uma variedade de sintomas e manifestações, desde convulsões evidentes até manifestações mais sutis, como alterações discretas de comportamento ou breves interrupções da atividade, especialmente em crianças, nas quais as crises de ausência são comuns e podem passar despercebidas até que haja prejuízo no desempenho escolar.

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Tipos de epilepsia

As crises epilépticas que levam à epilepsia podem ser classificadas, de acordo com a descrição clínica e exames, em:

Ainda, existem diferentes condições neurológicas que podem levar a crises epilépticas. Essas condições são classificadas em síndromes epilépticas, que podem ser divididas em:

Diagnóstico da epilepsia

O diagnóstico de epilepsia envolve uma avaliação clínica completa realizada por um médico especializado, como um neurologista. O médico investigará os sintomas pela análise de:

Com base nos resultados desses testes e dessas avaliações, o médico poderá fazer um diagnóstico de epilepsia ou descartar outras causas possíveis dos sintomas do paciente. É importante ressaltar que o diagnóstico e o tratamento da epilepsia devem ser realizados por um médico especializado, que poderá desenvolver um plano de tratamento individualizado para o paciente.

Como proceder diante de uma crise epiléptica?

Ilustração de uma mulher protegendo a cabeça de um menino que está tendo uma crise epiléptica, situação ligada à epilepsia.
Diante de uma crise epiléptica, é importante proteger a cabeça da pessoa.

Diante de uma crise epiléptica, é importante sobretudo manter a calma e agir de forma adequada para garantir a segurança da pessoa em crise. Algumas orientações sobre como proceder são:

É importante lembrar que cada pessoa é única e pode ter necessidades específicas durante uma crise epiléptica. Sempre adapte suas ações com base na situação individual e procure assistência médica se necessário.

Tratamento da epilepsia

O tratamento para epilepsia é altamente individualizado já que as necessidades e características de cada paciente podem variar significativamente. A abordagem terapêutica deve ser adaptada para atender às especificidades de cada caso.

Uma estratégia comum no tratamento da epilepsia é a monoterapia, na qual um único medicamento antiepiléptico é prescrito para controlar as convulsões. O objetivo da monoterapia é alcançar o controle das convulsões com o menor número possível de medicamentos, com o objetivo de minimizar os efeitos colaterais e simplificar o regime de tratamento. A escolha do medicamento antiepiléptico específico é baseada em vários fatores, incluindo o tipo de convulsões, a idade do paciente, as condições médicas subjacentes e outros aspectos individuais.

Além da terapia medicamentosa, outras modalidades de tratamento podem ser consideradas, dependendo da gravidade e da resposta ao tratamento inicial. Isso pode incluir terapias comportamentais, mudanças no estilo de vida, como a redução do estresse e a manutenção de um sono adequado, ou até mesmo a combinação com outros medicamentos, mas tudo isso dependerá da opinião do médico que acompanhará o paciente.

É fundamental que o tratamento seja continuamente monitorado e ajustado por profissionais de saúde qualificados com base na resposta do paciente e em sua evolução clínica. O acompanhamento médico regular é essencial para garantir a eficácia do tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com epilepsia.

A epilepsia tem cura?

Segundo a Liga Brasileira de Epilepsia, a epilepsia pode ter cura em alguns casos. Um exemplo de situação em que há cura da epilepsia é se um paciente ficar livre de crises por um período significativo, pelo menos dois anos, e a medicação antiepiléptica for interrompida sem recorrências. Outros exemplos são em situações em que a causa das crises é identificada e pode ser removida por meio de procedimento cirúrgico, assim como certos tipos de epilepsias infantis, em que o amadurecimento natural do cérebro pode levar à remissão do quadro ao longo do tempo. Em casos como esses, é possível considerar que existe cura para epilepsia.

Diferenças entre epilepsia e convulsão

Epilepsia e convulsão não são sinônimos. A epilepsia acontece quando existe a recorrência de crises epilépticas, que podem se manifestar de diferentes formas, entre elas as crises convulsivas ou convulsões.

Nas crises convulsivas, o indivíduo pode apresentar movimentos corporais involuntários, contrações musculares em todo o corpo, salivação intensa, entre outros sintomas. Apesar disso, um único episódio de convulsão não significa que a pessoa tenha epilepsia. A epilepsia é diagnosticada apenas quando existem crises epilépticas recorrentes e sem uma causa definida.

Ainda, as convulsões podem ser classificadas como provocadas, isto é, que acontecem com uma causa definida e que permanecem acontecendo apenas se essa causa continua, o que não é característica da epilepsia.

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Prevenção da epilepsia

A prevenção da epilepsia pode ser feita apenas em alguns casos, sendo importante destacar que não é possível prevenir todos os casos porque, muitas vezes, a condição é causada por fatores que estão além do controle do indivíduo, como lesões cerebrais, distúrbios genéticos ou condições médicas pré-existentes.

Um acompanhamento pré-natal adequado e uma boa assistência ao parto podem contribuir significativamente para a prevenção de certas causas de epilepsia, como a anóxia neonatal.

Da mesma forma, o controle eficaz dos fatores de risco para doenças cerebrovasculares, como a hipertensão arterial e o diabetes, pode resultar na redução do número de casos de epilepsia relacionados a essas condições, uma vez que diminui a incidência de acidentes vasculares cerebrais.

Consequências da epilepsia

A epilepsia pode ter uma variedade de consequências físicas e psicológicas para os indivíduos afetados. Em termos físicos, as crises epilépticas podem resultar em lesões, como quedas, fraturas ósseas, cortes ou queimaduras, dependendo das circunstâncias em que ocorrem.

No nível psicológico, os pacientes com epilepsia podem enfrentar estigma social e discriminação devido à falta de compreensão sobre a condição. Isso pode levar a sentimentos de isolamento, baixa autoestima e ansiedade. O medo de ter convulsões em público também pode limitar as atividades sociais e profissionais, impactando negativamente o bem-estar psicológico.

Importante: Com o tratamento adequado, suporte emocional e educação sobre a condição, é plenamente possível que uma pessoa com epilepsia leve uma vida normal, plena e produtiva. É essencial fornecer apoio, incluindo acesso a cuidados médicos especializados, terapia comportamental e suporte da comunidade, para ajudar os pacientes a gerenciarem os desafios associados à epilepsia e alcançarem uma melhor qualidade de vida.

Fontes

BETTING, Luiz Eduardo et al. Tratamento de epilepsia: consenso dos especialistas brasileiros. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 61, p. 1045-1070, 2003.

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VARELLA BRUNA, Maria Helena. Epilepsia. Drauzio Varella. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/epilepsia/.


Fonte: Brasil Escola - https://www.biologianet.com/saude-bem-estar/epilepsia.htm