Teoria da evolução

Teoria da evolução é uma explicação científica para a vasta diversidade de espécies presente no planeta Terra, centralizando-se na ideia de que os organismos se modificam ao longo do tempo.

Teoria da evolução é uma explicação científica para a vasta diversidade de espécies presente no planeta Terra, centralizando-se na ideia de que os organismos se modificam ao longo do tempo. Dessa forma, eles não são fixos ou imutáveis. Existem várias teorias evolutivas. Essas teorias representaram uma oposição à concepção do fixismo, que sustentava que as espécies permanecem inalteradas ao longo do tempo.

Dois naturalistas proeminentes, Charles Darwin e Alfred Wallace, propuseram quase simultaneamente a teoria da evolução por seleção natural. Essa teoria postula que as características mais bem adaptadas ao ambiente têm maior probabilidade de serem transmitidas às gerações subsequentes; assim, representa a maior probabilidade de sobrevivência, em cada geração, de indivíduos melhor adaptados ao ambiente. Essa perspectiva teve um papel fundamental na transformação do entendimento sobre a evolução.

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Resumo sobre teoria da evolução

Videoaula sobre a teoria da evolução

O que é a teoria da evolução?

A teoria da evolução é uma explicação científica para a diversidade da vida na Terra que tem como um de seus princípios o fato de que as espécies mudam ao longo do tempo em um processo biológico conhecido como evolução. A evolução descreve as mudanças nas características hereditárias de uma população de organismos ao longo do tempo. Essas modificações têm o potencial de conferir vantagens competitivas em termos de sobrevivência, podendo levar ao surgimento de novas espécies e à adaptação a diferentes ambientes.

Quais são as teorias da evolução?

Até o final do século XVIII, a teoria do fixismo oferecia uma explicação satisfatória para a diversidade de espécies no planeta, atendendo às concepções da época. Essa teoria postulava que as espécies foram criadas com suas formas e estruturas atuais, sendo imutáveis e fixas ao longo do tempo, e resultado de uma criação divina.

No início do século XIX, o fixismo começou a ser questionado, pois não conseguia explicar as descobertas científicas emergentes. A partir desse período, a origem da biodiversidade tornou-se um problema biológico a ser investigado cientificamente, e diversos pesquisadores (conhecidos como naturalistas na época) se dedicaram a propor hipóteses para explicar essa questão:

Atualmente a teoria da evolução por seleção natural é a mais aceita para explicar a origem da diversidade biológica. Ao longo dos anos, ela foi revista continuamente por pesquisadores, na tentativa de preencher as lacunas de conhecimento ainda existentes.

A teoria sintética da evolução ou neodarwinismo, por exemplo, é uma integração das ideias da genética (como princípios da genética mendeliana, mutação e recombinação gênica) com a teoria da evolução de Darwin e Wallace, buscando fornecer uma explicação para como as variações genéticas surgem e são transmitidas nas populações. Desde então, o conhecimento científico expandiu-se, ainda mais, com avanços na genômica, paleontologia, biologia molecular e ecologia, contribuindo cada vez mais no entendimento da variação.

Importante: As teorias evolutivas que emergiram durante os séculos XVIII e XIX questionavam apenas o fixismo e a origem da diversidade de espécies. Naquele momento, a origem da vida não era um tópico de discussão, e era atribuída à existência de um Criador.

Charles Darwin e a teoria da evolução

A primeira teoria da evolução foi desenvolvida quase simultaneamente pelos naturalistas Charles Darwin e Alfred Russel Wallace. Embora não se saiba exatamente como Darwin e Wallace conceberam ideias tão semelhantes quase ao mesmo tempo, é conhecido que o contato que ambos tiveram com a vasta diversidade biológica em arquipélagos durante expedições de coleta contribuiu para fundamentar suas teorias.

Darwin, sendo mais reconhecido no meio científico, acabou recebendo maior crédito ao longo do tempo. Dessa forma, é comum encontrar a teoria da evolução por seleção natural apenas creditada a ele.

Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, que desenvolveram quase simultaneamente uma conhecida teoria evolução.
Charles Darwin e Alfred Russel Wallace desenvolveram quase simultaneamente a teoria da evolução por seleção natural.

A teoria da evolução por seleção natural explica como características que oferecem vantagens adaptativas tornam-se mais comuns em uma população ao longo do tempoA seleção natural é a maior probabilidade de sobrevivência, em cada geração, de indivíduos melhor adaptados ao ambiente.

Para isso acontecer, a seleção natural parte da ideia de que existe variação entre os indivíduos em suas características. As características mais bem adaptadas ao ambiente têm maior probabilidade de serem transmitidas (ou selecionadas) às gerações subsequentes, conferindo maior capacidade reprodutiva (ou maior chance de deixar descendentes).

Além disso, essa teoria também defende a ideia de ancestralidade comum. O princípio da ancestralidade comum sustenta que todas as formas de vida na Terra compartilham um ancestral comum. Dessa forma, se retrocedermos milhões de anos no tempo, todas as espécies compartilham um ponto em comum, do qual evoluíram.

A teoria da evolução por seleção natural trouxe um impacto significativo na compreensão científica da Biologia e é um dos princípios fundamentais da Biologia moderna. Apesar disso, ela não deixou de ser alvo de críticas. Na tentativa de defender sua teoria, Darwin buscou levantar hipóteses que preenchessem as lacunas deixadas pela sua ideia inicial. Entre elas, estão:

Então, em 1871, Darwin ofereceu uma explicação para a existência dessas estruturas por meio da seleção sexual, que acabou por se tornar um componente da seleção natural. A seleção sexual sugere que características que ampliam a capacidade de um organismo atrair parceiros para a reprodução também podem ser favorecidas pela seleção natural, aumentando sua aptidão para deixar descendentes.

Dessa forma, a eventual desvantagem física seria compensada pelo sucesso reprodutivo se as fêmeas cruzassem preferencialmente com os machos que possuíssem estruturas mais proeminentes, as quais seriam transmitidas aos seus descendentes. Essa ideia também foi empregada para explicar a existência do dimorfismo sexual, as diferenças físicas entre machos e fêmeas da mesma espécie.

Pavão macho e pavão fêmea, que apresentam dimorfismo sexual, aspecto explicado pela teoria da evolução.
O pavão macho e o pavão fêmea apresentam dimorfismo sexual, e as características do macho estão associadas à maior probabilidade de atração da parceira.

Devido a isso, Darwin enfrentou críticas duras à sua teoria, e, sob a pressão por respostas, ele apresentou a hipótese das pangeneses. Segundo essa ideia, no momento da reprodução, unidades de todas as partes do corpo, chamadas pangeneses, migrariam para as células sexuais e seriam transmitidas aos descendentes. Contudo, a hipótese não estava fundamentada em experimentos que comprovassem a existência das pangeneses e foi descartada ao longo dos anos.

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Darwinismo social

Ao longo dos anos, foram feitas extrapolações equivocadas e distorcidas das ideias de Darwin sobre evolução e seleção natural em um movimento conhecido como darwinismo social. Os defensores do darwinismo social utilizavam, erroneamente, os princípios da seleção natural para justificar desigualdades sociais, políticas e econômicas. Segundo eles, assim como na natureza, onde apenas os mais aptos sobrevivem, na sociedade, a competição resultaria em progresso e os mais “aptos” ou “superiores” prosperariam.

Apesar de levar o nome de Charles Darwin, o darwinismo social não reflete as intenções originais das ideias de Darwin, que não defendia aplicações sociais simplistas de seus princípios na sociedade humana e não fez menção alguma a essa hipótese em seus livros. Atualmente, o darwinismo social é amplamente criticado por sua falta de base científica sólida e por seu uso para justificar práticas discriminatórias.

Exercícios resolvidos sobre teoria da evolução

Questão 1

(Enem) Desde a proposição da teoria de seleção natural por Darwin, os seres vivos nunca mais foram olhados da mesma forma. No que diz respeito à reprodução de anfíbios anuros, os cientistas já descreveram diferentes padrões reprodutivos, como os exemplificados a seguir:

Espécie 1 – As fêmeas produzem cerca de 5000 gametas, que são fecundados na água, em lagoas temporárias de estação chuvosa. Todo o desenvolvimento embrionário, do ovo à metamorfose, ocorre, nesse ambiente, independente dos pais.

Espécie 2 – As fêmeas produzem aproximadamente 200 gametas, que são depositados em poças próximas a corpos d’água. Os embriões são vigiados pelos machos durante boa parte do seu desenvolvimento.

Espécie 3 – As fêmeas produzem por volta de 20 gametas, que são fecundados sobre a superfície das folhas de plantas cujos galhos estão dispostos acima da superfície de corpos d’água e aí se desenvolvem até a eclosão.

Espécie 4 – As fêmeas produzem poucos gametas que, quando fecundados, são “abocanhados” pelos machos. Os embriões se desenvolvem no interior do saco vocal do macho até a metamorfose, quando saem através da boca do pai.

Os padrões descritos evidenciam que

A) as fêmeas influenciam o comportamento dos machos.

B) o cuidado parental é necessário para o desenvolvimento.

C) o grau de evolução determina o comportamento reprodutivo.

D) o sucesso reprodutivo pode ser garantido por estratégias diferentes.

E) o ambiente induz modificação na produção do número de gametas femininos.

Resolução:

Alternativa D

As diferentes estratégias reprodutivas das espécies contribuem para a sobrevivência da prole no meio, garantindo o sucesso reprodutivo da espécie.

Questão 2

(Unesp) Na natureza, a grande maioria dos gafanhotos é verde. No entanto, uma mutação genética incomum e pouco conhecida, chamada eritrismo, provoca alteração na produção de pigmentos, o que resulta em gafanhotos cor-de-rosa. Descobertos em 1887, esses gafanhotos raramente são encontrados.

Os gafanhotos cor-de-rosa são raros porque

A) a mutação reduz a variabilidade genética na população de gafanhotos, prejudicando a seleção natural de indivíduos cor-de-rosa.

B) concorrem por alimento com os gafanhotos verdes, que são mais eficientes por terem a mesma coloração das folhagens.

C) destacam-se visualmente e são facilmente encontrados e predados, enquanto os gafanhotos verdes se camuflam na natureza.

D) os gafanhotos verdes são mais numerosos na natureza e, portanto, se reproduzem e deixam muito mais descendentes.

E) são muito menos evoluídos que os gafanhotos verdes e por isso sobrevivem por pouco tempo na natureza.

Resolução:

Alternativa C

Os gafanhotos cor-de-rosa são raros porque, ao se destacarem em um meio geralmente composto por plantas de coloração verde, se tornam mais vulneráveis à predação.

Questão 3

(Unifesp) Considere as seguintes proposições:

I. Os mais fortes sobrevivem independentemente da situação e do ambiente.

II. A seleção natural visa ao aperfeiçoamento da espécie e sua adaptação ao meio.

III. Não é possível compreender adaptação desvinculada de informações sobre o ambiente e a descendência.

Segundo os princípios do darwinismo e da teoria sintética da evolução, está correto o que se afirma em

A) I, apenas.

B) II, apenas.

C) III, apenas.

D) I e II, apenas.

E) I, II e III.

Resolução:

Alternativa C

I. Os mais fortes sobrevivem independentemente da situação e do ambiente. (falso)
Os indivíduos com as características mais bem adaptadas ao ambiente têm maior probabilidade de sobrevivência.

II. A seleção natural visa ao aperfeiçoamento da espécie e sua adaptação ao meio. (falso)
A seleção natural não tem o intuito de aperfeiçoar ou melhorar uma espécie. Ela age sobre a diversidade fenotípica.

III. Não é possível compreender adaptação desvinculada de informações sobre o ambiente e a descendência. (verdadeiro)

Fontes

ALMEIDA, N. F. & FEIJÓ, J. 2011. A Evolução de Darwin – 100 perguntas, 100 respostas. Sociedade Espanhola de Biologia Evolutiva. Disponível em:  http://www.esalq.usp.br/lepse/imgs/conteudo_thumb/A-Evolu--o-de-Darwin.pdf.

DARWIN, C. 2018. A Origem das Espécies. Tradução: Miranda, D.M. São Paulo: Edipro. 480 p.

FUTUYMA, D. J. 2002. Evolução, Ciência e Sociedade. São Paulo: Sociedade Brasileira de Genética.

SENE, F. M. 2009. Cada caso, um caso... Puro acaso: Os processos de evolução biológica dos seres vivos. 2 ed. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Genética. 252 p.


Fonte: Brasil Escola - https://www.biologianet.com/evolucao/teoria-da-evolucao.htm